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Escrevendo o que vem à cabeça - sobre este momento

  • Mieko Hamada
  • 10 de mai. de 2017
  • 6 min de leitura

Já faz um tempo desde que ando dizendo que nada na minha vida está funcionando como deveria. O engraçado é que eu sempre soube que o problema estava comigo; estava nas coisas que eu continuava fazendo sem juízo de que isso me atrapalharia num futuro mais próximo ou mais distante dali. E eis que surge uma leve oportunidade de entrar numa sala para assistir a uma pequena palestra (que felizmente acabou se estendendo por mais de uma hora) sobre liderança, ministrada pela professora Soraya El-Deir, em que ela disse o seguinte: "não seja o seu pior inimigo".

Foi o primeiro de vários momentos ao longo daquela tarde em que eu parei para pensar sobre o que realmente vinha me atrapalhando por todos esses 18 anos de uma história não muito heroica e sempre dramática demais. Percebi que eu já passei do ponto em que eu podia culpar meus pais por alguma coisa. Era o ponto em que eu não podia porque isso não dizia mais respeito a eles; eu já tinha idade, pouco tempo atrás, de começar a desenvolver minhas próprias ideias e um novo modo de pensar na minha própria vida com minhas próprias convicções, ainda que estas não fossem (óbvio) tão maduras quanto são hoje, e quanto ainda espero que elas possam ser no futuro.

Parece pouco, mas qualquer pessoa que ainda não saiu do ensino fundamental pode recriar conceitos dentro de sua mente, pode dizer com clareza o que pensa e o que sente sobre as coisas que a cercam, e até mesmo onde deseja estar em dias não tão distantes. Eu era capaz disso. Eu me lembro disso. Lembro que me alegrava com qualquer coisa relacionada à vida (no próprio conceito da palavra), que eu ficava feliz pensando em como as coisas seriam diferentes quando meu sonho se realizasse e de como o mundo poderia ser se as pessoas entendessem o porquê de eu me importar tanto com meu planeta, e se importassem com ele também. Hoje eu ainda sinto essas mesmas coisas...

Só que com um clique de bagunça aqui e ali em algumas ideias.

Algo a mais que eu posso confirmar nesses últimos 3 semestres é que dizer que você quer cursar alguma coisa é realmente muito diferente de efetivamente cursar essa coisa. É muito fácil dizer que você quer salvar o mundo, e é extremamente fácil pensar em uma vida estável, com problemas e estresse controlados, em que você não precisa fazer muito mais do que trabalhar naquilo que ama e ganhar X ou Y na sua conta, ao final do mês. Sim, é verdade. Mas a vida de nenhum grande profissional (ou melhor dizendo, de grandes líderes) começou na parte bem sucedida que as pessoas propagam por aí.

É necessário muito mais do que amor pelo que se faz. É preciso estar entre pessoas que te incentivem a ser a melhor versão de você mesmo, e não entre aquelas que sempre contornam todos os seus erros, como se você não tivesse culpa de ter reprovado numa prova para a qual não estudou ou de ter perdido leitores porque não se importou com o prazo daquela postagem que você prometeu fazer até janeiro do ano passado.

Ao final da palestra, quando eu já estava (internamente) descontrolada o bastante para perguntar algo com sentido, me arrisquei, ainda que com certo medo, a comentar algo com a professora. Agradeci por ela ter comparecido, a convite de uma das pessoas mais proativas do centro, e perguntei o que se faz quando várias coisas começam a dar errado ao mesmo tempo. A primeira resposta que recebi foi uma pergunta. "Será que não é você que está olhando para o lado errado? O que o espelho diz pra você? Ele já me fez chorar várias vezes, mas é preciso encarar a verdade."

Eu gostaria de ter sido mais direta com minha pergunta, e até mesmo de ter conversado mais sobre o assunto ao final da palestra, mas a forma sucinta como os acontecimentos nos são apresentados me fez concluir logo o que eu estava ali para fazer. Ela disse: "a resposta está dentro de você". E eu, após me despedir e agradecer novamente, só consegui dar meia volta, com as mãos nos bolsos, segura de que ninguém percebesse que a única coisa que eu queria fazer era deixar aquelas lágrimas escondidas aparecerem em meu rosto. Elas não apareceram. Mas eu sinto que naquele instante, de todas as formas, El-Deir estava certa.

Tudo o que ela falou sobre não deixar que as pessoas vivam seu sonho por você, não permitir que as pessoas te vejam como aquilo que você não está lá pra ser, sobre não ter medo se você deseja fazer a diferença na vida das pessoas (e na sua própria) e sobre procurar sempre um jeito de passar pelo caminho mais difícil era exatamente o que vinha me guiando desde que senti que cuidar do meu planeta era o que eu queria para mim.

No primeiro período, apesar de ter sido um dos mais difíceis dos 3, eu realmente tinha convicção do que eu estava fazendo. No segundo, comecei a automatizar as coisas, fazendo com que meu sonho dormisse no ponto de vez em vez, e isso piorou no atual semestre. Por fim, agora, percebo que o real porquê de eu ter caído tantas vezes foi o fato de eu ter me preocupado mais em culpar os outros e me sentir confortável com essas pessoas que não jogam a verdade na minha cara, do que com procurar uma saída que envolvesse "mudar a mim".

Minhas atitudes me destruíram por dentro. Meus atos fizeram com que eu me sentisse culpada por estar viva (e "atrapalhando a vida dos outros", acima de tudo). Eu me permiti descer até meu nível mais baixo porque deixei que as circunstâncias me guiassem pelo lado errado. Deixei a ilusão de ter muito tempo fazer com que eu largasse meus compromissos para a última hora possível, deixei que minhas atividades de lazer se transformassem em meu tempo de trabalho e que meu trabalho se transformasse em algo feito durante poucos minutos por semana.

Numa ilustração mais hipotética, era como passar o dia inteiro regando as plantas e somente 10 minutos cuidando de um irmão recém-nascido que precisava de atenção.

É claro que as plantas necessitam de água, caso contrário elas morrerão. Mas água demais deixa o solo saturado, e quando chega novamente o momento de regar as plantas, isso já não parece mais suprir necessidade alguma, nem a delas de se nutrir e nem a minha de passar poucos porém agradáveis instantes as cultivando. Cuidar de uma criança muito jovem, por outro lado, é uma tarefa que exige tempo e dedicação muito maiores do que somente 10 minutos. A criança é como o sonho que tem você - e somente você - para criá-lo como seu, para fazê-lo crescer em você e talvez até nas pessoas ao seu redor. E preciso ter a humildade de reconhecer meu erro em fazer dele algo tão pequeno e insignificante, quando foi este mesmo sonho que foi o indutor de tantas mudanças em minha vida.

Tenho uma convicção absoluta de que nada acontece sem uma razão - e coincidentemente a professora que encontrei também pensava assim. Ela disse que todos temos uma missão aqui e que não podemos perder nosso tempo. Eu não somente concordo como quero me comprometer com isso a partir deste momento. Eu tenho dito que não estou satisfeita com minha vida e que eu gostaria de ter tempo para as coisas que não fiz quando tive chance, semanas, meses ou anos trás. Mas a única pessoa que pode gerenciar escolhas para que isso se torne real sou eu. Não é a minha irmã, meus pais ou qualquer outra pessoa que vai me mostrar um caminho. Eles estão ao meu lado, mas na rota que eles escolheram para eles.

"Se você não encontrar a porta, construa uma você mesmo", um amigo uma vez me disse.

Eu seguirei por rumos melhores daqui pra frente. Eu não me contento em dizer que "vou tentar" porque eu sou capaz de conseguir, como eu já fiz tantas vezes antes. Eu tenho a minha fé comigo. Eu tenho meu sonho comigo. Eu não preciso de mais nada que não seja eu mesma para tornar isso real. E agradeço mais uma vez a todos os que fizeram parte dessa história até aqui.

Estou indo para algum lugar mais à frente.

Até mais alguma tarde de pensamentos aleatórios sobre qualquer coisa.

Mieko Hamada

"Uma palavra dita sem exemplo é digna de ser ridicularizada e não de ser seguida."

 
 
 

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