Sugestão de Leitura - Douglas Adams e os golfinhos, ou não, de "Até mais, e obrigado pelos peix
- Douglas Adams
- 13 de ago. de 2017
- 1 min de leitura

Nota e início: a reprodução do capítulo seguinte visa exclusivamente o entretenimento, e a recomendação de uma obra que eu particularmente gosto (absurdamente) bastante, sem qualquer fim lucrativo. O texto é de autoria integral de Douglas Noel Adams - ©1984.
----------------------------------------ღ
Até mais, e obrigado pelos peixes!
Capítulo 32
O profundo clamor do oceano. As ondas dissolvendo-se na arrebentação em litorais mais longínquos do que o pensamento pode imaginar.
Os silenciosos trovões das profundezas.
Em meio a isso, vozes falando, vozes que não são vozes, trinados, morfemas, as canções semi-articuladas do pensamento.
Saudações, ondas de saudações, deslizando novamente até o inarticulado, palavras na arrebentação.
Uma onde de mágoa chocando-se nos litorais da Terra.
Ondas de alegria em - onde? Um mundo indescritivelmente descoberto, indescritivelmente alcançado, indescritivelmente molhado, uma canção de água.
Súbito, uma fuga de vozes, explicações clamorosas sobre um desastre irreversível, um mundo a ser destruído, uma onda de impotência, um espasmo de desespero, uma queda fatal e novamente palavras na arrebentação.
E então um fio de esperança, a descoberta da sombra de uma Terra nas implicações do tempo redobrado, dimensões submersas, a tração dos paralelos, profunda tração, a torção da vontade, seu arremesso e a rachadura, a passagem. Uma nova Terra puxada para o mesmo lugar; os golfinhos se foram.
Então, uma única voz espantosamente clara.
- Este aquário é um oferecimento da Campanha para Salvar os Humanos. Adeus para vocês.
Depois o som de corpos grandes, pesados e perfeitamente cinzentos, girando para uma profundeza desconhecida e insondável, rindo baixinho.
Comentários